23.6.06:

Estou postando este trecho do livro mais interessante que tive a oportunidade de ler nos últimos dez anos e posteriormente, talvez eu me proponha a escrever sobre a minha interpretação dessas palavras. De qualquer forma, é bom atentarmos para o fato de que as crônicas e colunas de uns e outros "intelectualóides" do nosso tempo nada têm de original, nem tão pouco Schopenhauer e outros brilhantes sábios da era moderna eram tão originais assim, aja visto que foram influenciados por doutrinas e filosofias que remontam aos primórdios da civilização indiana.

Entre os desejos e as suas realizações decorre toda a vida humana. O desejo, pela sua natureza, é sofrimento; a satisfação engendra bem depressa a saciedade. O alvo era ilusório, a posse rouba-lhe o seu atrativo; o desejo renasce sob uma forma nova, e com ele a necessidade; senão é o fastio, o vazio, o aborrecimento, inimigos mais violentos ainda do que a necessidade. - Quando o desejo e a satisfação se seguem em intervalos que não são nem demasiado longos nem demasiado curtos, o sofrimento, resultado comum de um de outro, desce ao mínimo: e essa é a vida mais feliz, visto que existem muitos outros momentos, que denominaríamos os mais belos da vida, alegrias que designaríamos as mais puras, mas elas roubam-nos ao mundo real e transformam-nos em espectadores desinteressados deste mundo: é o conhecimento puro, puro de todo querer, a fruição do belo, o verdadeiro prazer artístico, além disso, estas alegrias, para serem sentidas, pedem aptidões muito raras: elas são, portanto, permitidas a muito poucos, e, mesmo para estes, elas são como um sonho que passa; porém, eles devem essas alegrias a uma inteligência superior, que os torna acessíveis a muitas dores desconhecidas do vulgar mais grosseiro, e faz deles, em suma, solitários no meio de uma multidão totalmente diferente deles: assim se restabelece o equilíbrio.

(extraído de O mundo como vontade e representação - Arthur Schopenhauer)


por Ziggy Stardust as 08:25

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13.6.06:

Amor Taciturno.

Nas ruas fluem rios rasos de sorrisos e os olhares mais vazios, pensamentos anônimos que adivinho - um carro, uma viagem, um cargo - individualidades que transitam... E eu com essa inconformidade que desconforta qual hóspede não avisado. Mais do que a língua presa ou que as palavras inarticuláveis e jamais inventadas, a aritmética desse mundo é que devora o meu alento. Você caminha comigo, mas em verdade somos três; eu, você ao meu lado e a esfinge encarnada em meu meio sorriso. Resignado por não poder te falar da insensatez de tudo isso, sigo mudo. - Não, não foi nada, meu amor.

por Ziggy Stardust as 11:00

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