22.2.07:
Bem, se não gostarem eu posso afirmar que postei apenas para preencher a lacuna da qual reclamavam... Abraços gerais.
Papo de Bêbados.
- Oi! Estava ali pensando comigo mesmo, tenho uma teoria a partir da qual atribuo à beleza interior o charme externo das pessoas. Não, eu não falo do tipo estereotipado de beleza, esse conjunto de coisas que a mídia convencionou como beleza, afinal alguém já disse que há pessoas elegantes e pessoas bem vestidas. Pois bem, assim penso também que existem pessoas bonitas e outras apenas vestidas de belos corpos, se é que você está me entendendo... - Você está? - Não precisa ficar aí calada, pode me interromper se quiser... - Resumindo, estava ali pensando comigo mesmo sobre qual tipo de pessoa bonita você é.
- E então, o que foi que ela te respondeu?
- Nada, na verdade eu não testei essa cantada ainda...
- Ah...
- Ah nada, vai dizer que não é boa? É ótima, mas você sabe, estou bem resolvido amorosamente, não vou sair por ai testando isso.
- Então não sabe se realmente funciona?
- Isso depende.
- Como depende? Ou funciona ou não funciona, não tem isso de depende.
- Depende da sua interlocutora, ou presa como você chama. Se você tiver sorte ela irá se mostrar ligeiramente envaidecida com a sutileza do elogio, se interessará pela teoria, porém não vai saber lhe responder sobre que tipo de pessoa bonita é. Então você pede a ela uma oportunidade para tentar descobrir.
- Oportunidade para tentar descobrir...
- É, uma chance para conhecê-la melhor, para se tornar amigo dela e chegar a alguma conclusão. Em suma, você a convida para sair.
- Boa, boa, muito boa...
- É, muito boa, só que daí para frente é por sua conta.
- É acho que eu dou conta, eu dou conta... Heheheheheheh!!!!
_______________________________________________________________________________
- Tá, mas você disse "se eu tiver sorte"?
- Como é que é?
- Aquele papo do outro dia, a sua cantada infalível...
- Hahahahahahahahah!!! Ainda está pensando nisso? Você ainda não tentou, ou simplesmente você não deu sorte?
- Não tentei, lembrei do que você disse sobre não dar sorte e fiquei encucado, que estória é essa afinal?
- Não é estória, as reações das garotas podem variar, afinal as mulheres respondem de formas diferentes às cantadas por uma razão simples; elas são diferentes. Você sabe como é, os iguais somos nós, quer dizer, aos olhos delas ao menos, nós somos todos iguais. - Hahahahahahahah!!!!
- Hahahahahahahahah!!! - Tá, mas na prática o que pode acontecer, quer dizer, se eu não der sorte?
- Bem, ela pode não ser realmente bonita. Quer dizer, bonitas todas são, mas ela pode ser meio lenta e não acompanhar o seu raciocínio. Vai ficar te olhando de um jeito meio abestalhado, como alguém que sabe estar diante de uma pessoa inteligente, mesmo sem entender bulhufas do que a outra pessoa está falando.
- Hum... e o que eu faço nesse caso?
- Você é quem sabe, se continuar interessado você se aproveita da situação, de certa forma você já a terá subjugado. Eu talvez caísse fora, mas o mais provável é que os atrativos físicos dela apenas satisfizessem os poucos requisitos dos meus instintos. - Hahahahahahah!!! - Depende do lugar, da hora, da ocasião, das nossas necessidades imediatas.
- Saquei, de forma geral não há como perder.
- Também não é desse jeito, você tem que saber perder, ou ao menos entender que perder não é tão ruim, o importante é sentir-se vivo.
- Mas pela sua teoria a gente nunca perde!
- Perde sim. A mulher, a garota mais provavelmente, pode não ser capaz de acompanhá-lo intelectualmente e, ao invés de admirá-lo, te achará pedante. Ela o verá como um metido arrogante, inconscientemente ela se sentirá diminuída e, usando da feminilidade, única arma de que dispõe, ela te mandará cair fora. Como se você fosse o culpado por ela ser incapaz de acompanhar um pensamento lógico, quando na verdade sua única culpa é não saber selecionar as mulheres que assedia, ou o método de assédio para cada mulher. É igual aquela estória do treinador que arma o time em função do elenco de que dispõe. Muito razoável, na teoria...
- Entendo... Bem são duas situações razoáveis, senão muito boas, contra uma possibilidade ruim.
- Não. Há ainda uma quarta possibilidade.
- Qual?
- A mulher pode ser tão ou mais esperta do que você, ela antevê o seu jogo, antecipa seus passos e te põe em cheque.
- Caramba! E o que se faz nesses casos?
- Leva-se na esportiva, como eu disse, é preciso saber perder, porque no fundo nunca se perde realmente, no mínimo, aprendizado você ganha, é como dizia o poeta, "tudo vale a pena..."
- Se a alma não é pequena! Tá, mas aprendizado não é bem o que a gente procura...
- Ela ainda pode gostar de você mesmo predizendo seus passos, afinal ao menos você se mostrou mais inteligente do que a maioria, se bem que não muito sincero, mas também aí já seria querer demais. - Hahahahahahaha!!!!
- Hahahahahahahah!!! - Tá bom, mas sejamos honestos, não há nada de inteligente em aplicar uma cantada que, mesmo parecendo original, é aprendida e decorada. O provável é que a minha inteligência se acabe aí e ela saque isso, o que iguala as minhas chances de sucesso e fracasso.
- É, amigo, afinal quem é inteligente se molda às pessoas e às situações, Quem é realmente inteligente consegue ser quase sempre criativo e original. Aliás, eu diria que inteligente mesmo é ser sempre sincero e se você conseguir parecer extrovertido e interessante ao expressar essa sinceridade, isso sim consistirá de uma virtude. As mulheres estão sempre pedindo por sinceridade, não porque esta seja a qualidade suprema, mas porque através dela se pode visualizar todos os seus defeitos e decidir de antemão se estão dispostas ou não a conviver com eles.
- Bonito. Mas eu sei que você pegou muitas antes de decidir se tornar um monógamo erudito!
- Hahahahahahah!!! - Tá bom, se você quer pensar assim...
por Ziggy Stardust as
15:30
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31.10.06:
Sobre desfechos.
Escrevo que eu não sei, que não sei mesmo se o seu é um desfecho válido, mas a duvida vã que sequer corrói, o que eu realmente não sei, é se devo dizê-lo da forma honesta, completa, autêntica na intensidade e na forma, como apenas para com os amigos nos permitimos ser. Poderás dizer-me que a vida quase nunca nos reserva desfechos válidos, ou que os desfechos da vida são, ao menos aparentemente, quase sempre inválidos. Mas eu te diria que ela é mais sutil, a vida é habilmente mais sutil, minha amiga. Poderia estender-me com elucubrações, inválidas para agora. Elucubrações sobre como seria outrora, de quando praticávamos essa amizade; mas agora, agora eu me pergunto apenas se não sou eu mesmo o responsável pela falta que você me faz.
por Ziggy Stardust as
19:05
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2.10.06:
Mensagem a um jovem politicamente alienado.
Amigo, perdoe-me, mas quer me parecer que a sua postura política é de alienação total, ou estou enganado? Porque se é assim, acho completamente condenável. Do meu ponto de vista, o que ocorre realmente é que o eleitor pensa que suas obrigações enquanto cidadãos findam com o ato do voto e, para que as coisas mudassem realmente, seria necessário bem mais do que isso.
Você diz que, independente de quem seja o político eleito, as coisas nunca irão mudar. Certamente as coisas não mudarão enquanto pessoas como você não mudarem. A solução dos problemas está antes no eleitor, depois nos políticos. É preciso que busquemos nos informar sobre a estória política dos candidatos antes de votarmos. E depois, seria necessário que acompanhassemos os eleitos, que os cobrassemos, que protestassemos através de pelo menos uma das tantas formas possíveis.
O que podemos fazer? No mínimo podemos nos indignar e expressar essa indignação e suas razões aos quatro ventos, para que outros mais sejam despertados para os problemas de que temos consciência. Então, aproveito para expressar a minha indignação, não para com os políticos, mas para com os eleitores alienados como você, resignados, mal informados, corrompidos... Cada nação tem os governantes que merece.
por Ziggy Stardust as
13:14
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4.8.06:
Tenho escrito pouco aqui, não por falta de inspiração, mas por falta de motivação. Desrespeito, falta de consideração para com os poucos amigos que ocasionalmente passam por aqui? Não. O que me motiva é a interação, a possibilidade de me expressar e de saber sobre opiniões coincidentes ou divergentes, afora isso o blog é apenas um monumento a minha própria vaidade, sou justo e não me envergonho. Por falta de motivação aqui tenho escrito mais em outros lugares, nas comunidades orkutianas onde a interação realmente acontece e numa dessas escrevi algo assim;
Apesar de, ocasionalmente, eu também utilizar essa expressão "eliminar o ego", não gosto deste verbo eliminar, não aplicado nesse contexto. Para mim trata-se antes de tentar estar atento o tempo todo aos impulsos que emanam do ego, como mero observador apenas. Atento e consciente das forças e motivos que nos movem realmente, a cada ato, a cada sentimento, a cada pensamento, a cada respiração. Sem negar, sem reprimir ou camuflar, mas apenas observando e tentando entender honestamente. Para mim isso é que é meditação, para mim essa é a única forma, a única terapia, o único método, o único meio.
por Ziggy Stardust as
17:09
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23.6.06:
Estou postando este trecho do livro mais interessante que tive a oportunidade de ler nos últimos dez anos e posteriormente, talvez eu me proponha a escrever sobre a minha interpretação dessas palavras. De qualquer forma, é bom atentarmos para o fato de que as crônicas e colunas de uns e outros "intelectualóides" do nosso tempo nada têm de original, nem tão pouco Schopenhauer e outros brilhantes sábios da era moderna eram tão originais assim, aja visto que foram influenciados por doutrinas e filosofias que remontam aos primórdios da civilização indiana.
Entre os desejos e as suas realizações decorre toda a vida humana. O desejo, pela sua natureza, é sofrimento; a satisfação engendra bem depressa a saciedade. O alvo era ilusório, a posse rouba-lhe o seu atrativo; o desejo renasce sob uma forma nova, e com ele a necessidade; senão é o fastio, o vazio, o aborrecimento, inimigos mais violentos ainda do que a necessidade. - Quando o desejo e a satisfação se seguem em intervalos que não são nem demasiado longos nem demasiado curtos, o sofrimento, resultado comum de um de outro, desce ao mínimo: e essa é a vida mais feliz, visto que existem muitos outros momentos, que denominaríamos os mais belos da vida, alegrias que designaríamos as mais puras, mas elas roubam-nos ao mundo real e transformam-nos em espectadores desinteressados deste mundo: é o conhecimento puro, puro de todo querer, a fruição do belo, o verdadeiro prazer artístico, além disso, estas alegrias, para serem sentidas, pedem aptidões muito raras: elas são, portanto, permitidas a muito poucos, e, mesmo para estes, elas são como um sonho que passa; porém, eles devem essas alegrias a uma inteligência superior, que os torna acessíveis a muitas dores desconhecidas do vulgar mais grosseiro, e faz deles, em suma, solitários no meio de uma multidão totalmente diferente deles: assim se restabelece o equilíbrio.
(extraído de O mundo como vontade e representação - Arthur Schopenhauer)
por Ziggy Stardust as
08:25
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19.5.06:
A Grande Invasão.
Expectativa de vida curta,
Sabedoria burra,
Eles irão à luta
Com as armas que têm.
Fácil herdar a terra, lavrar as almas. Latifúndio fácil, hipoteca burra. Difícil é carregar marmita e, resignado arriscar a vida em carroceria de caminhão. Ver que teus filhos irremediavelmente te sucedem.
Lançar pedras, fácil. Difícil é se educar no morro, sem escola e sem pão, sem pai, talvez com mãe. Difícil é, em criança, perceber os olhares e não atinar com sua própria ferida.
Do outro lado você.
Você armazena a sua piedade,
Sua sentença e comiseração.
Não lhe bateram na cara,
Não violentaram sua mãe,
Não amputaram a sua dignidade.
Você nunca degustou o barro ocre da fome.
Bandeira vermelha, vendas vermelhas, revolta cega, ideologia morta e sede de revolução. Alistarão-se ao primeiro pelotão, e servirão ao Comando. Eles acordarão antes do sol e chutarão a sua porta. Esteja pronto para guerra, esteja pronto para a condenação.
Omissão! Comodidade e preguiça!
Eis os crimes dos quais te acusam.
por Ziggy Stardust as
13:46
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26.4.06:
A Praga de Luís Alberto.
Essa coisa entre a gente está ficando mais séria do que eu gostaria. - Ele começou com algo assim e não foi necessário se adiantar mais para que ela entendesse do que se tratava. Ficou consternada e furiosa, mas se manteve firme. - Que burra eu, achar que comigo seria diferente, que burra eu, Luís Alberto. - Tentou se justificar dizendo que queria outra coisa para sua vida e que o lance entre eles começava a fugir ao controle. Pediu que parassem por ali, mas que continuasse sua amiga. - Sua amiga? E você lá tem amigas, Luís Alberto? Que amigas você tem? - Ela repetia o seu nome o tempo todo e ele gostava de estar, de certa forma, na sua boca. Mas se incomodou dessa vez. - Você não tem amigas, Luís Alberto, você tem apenas transas, transas Luís Alberto! - Cada repetição desnecessária do nome dele soava como uma punhalada, repetida também e desnecessária.
Era e continuou verdade ao longo dos anos, ele não tem amigas, apenas transas e, talvez por ser hetero e suas relações sociais serem todas de cunho profissional ou sexual, também não tem amigos, colegas, camaradas, chapas, chegados apenas. - Um dia, um dia, Luís Alberto, você se arrependerá, não por mim, nem por esse momento, mas pelo estilo de vida que você escolheu. - Marejaram os olhinhos de jabuticaba e, antes que ele pudesse vê-los transbordar, miraram a porta e sumiram pela rua. - Um dia você se arrependerá, Luís Alberto! - Do lado de fora, palavras desconexas esparramadas na calçada. Do lado de dentro, juízes e carrascos camuflados sob olhos de raposa que o fuzilavam por entre as mesas. Pagou a conta diretamente no caixa e fugiu daquele lugar. - Burro eu, burro eu, logo num lugar público... - Pensamentos audíveis, dispersados no asfalto, poluindo os humores.
Seu quadragésimo segundo dezembro perdido entre estúdios e redação, mensurável através de toques e cliques, não lhe deixou tempo para conhecer ninguém, nenhuma amiga para ligar. Também não vai para casa de parentes ouvir sobrinhos chamarem-no tio. Está sozinho outro Natal e as palavras novamente retumbam no seu cérebro. - Um dia você se arrependerá, Luís Alberto! - Ficaram impregnadas no seu ser, tal qual a coca, o álcool, a nicotina e o alcatrão. E será assim a noite toda, ela se levantará, lhe virará as costas e dirá as palavras. Ela sumirá rua afora e ele escutará as saudações e risadas no apartamento de cima, várias e muitas vezes.
Uma dose, uma bebida, um cigarro, uma picada. Doses, tragos, picadas, palavras na calçada, risadas no apartamento de cima, várias vezes noite afora. Olhos opacos, pálidos lábios, rouca voz, vê e ouve-a, seu fantasma, sua praga. - Luís Alberto, Luís Alberto, Luís Alberto... - Várias vezes. Outra dose, outra picada, outro trago, outro cigarro, noite adentro. A tosse, a dor, o pigarro, o enjôo, em si mesmo. Última picada, última dose, último cigarro. O vômito, o espasmo. Silêncio no apartamento de cima, no do lado, no de baixo, e lá fora as palavras ainda esparramadas na calçada - Luís Alberto, Luís Alberto, Luís Alberto...
por Ziggy Stardust as
12:25
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